Quinta-feira, Agosto 30, 2007
Eu queria cometer bobagens hoje...
Dar-te, por exemplo, a cópia de uma chave... A que abre a porta da frente de uma casa, que, queria tê-la só minha...
Sim, quero, hoje, preocupar-me com a gola da minha camisa. Se está limpa, se não está amassada e, caso esteja, me apressar, antes que você estacione o seu carro, para – mesmo sem jeito – engomá-la. Quero vesti-la e sorrir como se estivesse te aguardando apenas há poucos minutos...
Não, na verdade, não quero fingir que estava tranqüila ou sossegada. Quero, na verdade, não esconder meu sorriso, surpresa, desmedida, talvez até espantada, “aperriada”. Aquele... quando, simplesmente, digo: esperaria o dia todo por você. Mas, não demore nenhum segundo a mais antes dessa porta...
Sim, quero muito dizer que não importa a hora marcada. Se houve ou não avisos de que você viria naquela noite e me volto a uma sexta-feira. Na verdade, não tanto importa. Eu quero mesmo é abraçar esse inesperado, que dispensa os costumes, que despreza as distancias... Ou o pensamento, aquele mais polido e racional.
Sim, quero te dizer “SIM”. Dizer “sim” com a confissão mais tola e sem “repenso”. Quero essa bobagem, a de olhar em teus olhos e dizer que essa casa agora também é tua. Que vesti a melhor camisa pra jogar fora os relógios. E que a tua saída é pra mim, na verdade, a saudade de todo um dia. E que a tua chegada é, assim, o sentido de toda uma vida.
Por Lidi às 7:36 AM
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Terça-feira, Agosto 21, 2007
Não importa...
Hoje, não importam mais os minutos
Aqueles, de dúvidas sobre o teu nome
Ou se eu vou te ver de novo
Não me importa mais esse tempo
Nem qualquer outro segundo de adiamento
Sim, hoje não me interessam as ausências
Aquelas, propositais ou pelo acaso trazidas
De desculpas sobre o trânsito...
Cheias da chamada teoria das impossibilidades
E não me importam as falsidades, que me atingiram em três ou quatro esquinas
Pelo menos as que sei ou com as quais pude dialogar
O que me importa hoje não é o dia da semana
Se é um sábado ou um nublado domingo
Se desliguei o fone ao ouvir tua voz
E se a ti minto quando entre um “oi” e um olhar
Um convite fica espremido
Não, hoje, eu quero retomar o afeto
naquele exato instante em que o deixei adormecido
Sim, não mais me pesa ter pensado errado
Ou, contigo, ter pensado parecido
E não me importam os aplausos ou vaias
Quero ser, agora, uma tentação onde caias
Onde desejes o vinho e não queiras fugir
Venha, então, e não te detenhas
E, sem pressa, me peças
Para te condenar a outras noites
Parecidas ou, tão assim, iguais a essa
Mas, também me importa a tua quietude, aquela do teu sono
Que me transporta a uma paz que visitei nos sonhos
Que me faz desejar que tuas rendas sejam o meu território
Onde demarco e marco minhas não tão inocentes intenções
Porque toda voz também pede um silêncio
Mas, quero que me escutes dizer
Que também aguardo o abrir dos teus olhos
Porque, são neles que meus pensamentos, hoje, os encontro
E porque toda saciedade... Também pede um recomeço
Por Lidi às 9:09 PM
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Sexta-feira, Agosto 17, 2007
Quando está tudo bem, quando está tudo indo nos conformes, parece que seu radar dispara. Você pensar consigo mesmo: "É essa a hora. Olha como ela tá bem!". E, quando eu menos espero, quando eu penso que eu esqueci, você aparece.
Eu ando pelas ruas e vejo você nos outros rostos, mesmo sem querer. Eu estou parada no farol e sinto seu cheiro, mesmo com a fumaça do cigarro ou o fedor do lixo que o povo insiste em jogar nas ruas. Eu fecho os olhos e te vejo, mesmo se você é a última pessoa que quero nos meus sonhos. Eu paro e penso no futuro e vejo você lá comigo, mesmo que eu já tenha desistido dessa idéia há tempos.
Não dá.
Você sente que eu estou bem e faz questão de vir estragar tudo. Seja nas fotos, seja nos sonhos, seja nos pensamentos, seja no ar. Seja como for. Mas você vem. E estraga tudo. Me deixa dias e dias só pensando em você e em todas as coisas boas. Consegue me fazer ter raiva não dos dias que perdi do seu lado, mas sim das manhãs ensolaradas em que ficamos sentados no parque. Consegue me fazer ter raiva não das oportunidades que perdi por você, mas sim de todos os nossos sonhos da nossa casa em uma vila, com um cachorro bem grande no quintal. Consegue me fazer ter raiva não das noites em que você saiu com os seus amigos, mas sim de todas as noites que ficamos deitados no colchão no chão vendo filme e brincando com chantily.
Você é terrível.
Hoje em dia entendo o sentido da frase que minha mãe sempre disse: ruim com ele, pior sem ele. E mais: se você tivesse morrido, não seria tão ruim assim.
Por Lidi às 12:41 PM
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Domingo, Agosto 12, 2007
Um Amor...
Pode ser de vários tamanhos, pode ter várias formas, vários pesos, várias medidas.
Pode ser profundo ou superficial, maduro ou infantil, longo ou curto, pode passar como
um tufão ou como uma brisa de verão, pode ser sentido ao longe ou bem pertinho.
Um amor troca um beijo, um carinho, uma emoção, um afago, um perdão, amor troca confidências,
troca juras,troca feitiço, troca dúvidas e experiências. Um amor pode ser forte ou fraco,
distraído ou atento, pode vencer tormentas, dissabores e oferecer alento. Um amor pode
sobreviver a distâncias e atravessá-las num segundo através do pensamento. Um amor é
como um vício, uma droga, desencadeado por uma paixão ardente. Um amor produz sorrisos, momentos perfeitos, produz sonhos e insônias, produz palpitações, angústias,agonias e ilusões. Um amor verdadeiro se perde no tempo, caminha pelo passado, atua no presente, se encaminha para o futuro e adormece na eternidade. Um grande e verdadeiro amor ilustram noites enluaradas e dias ensolarados. Um amor tem lembranças de lugares, de cheiros, de músicas e de sons. Um amor tem sabores, às vezes doces,outras vezes amargos, mas todos sempre bem saboreados. Um amor pode iluminar a vida ou escurecer o coração.
Um amor pode ser real, virtual ou transcendental, porém sempre será igual. Um amor pode
ser impossível, improvável, mas pleno no coração. Pode ter testemunhas ou ser oculto e
mesmo assim ser vivido intensamente. Pode ser clandestino e anônimo, pode ter o nome de
uma flor e ainda assim ser um grande amor. Um amor pode ser castigado pelas agruras da
vida e persistir inalterado e majestoso. Um amor de verdade pode jamais se consumar
e ser forte como uma rocha, profundo como o fundo do mar. Um amor pode ser arriscado,
difícil, perigoso, inadequado, mas mesmo assim almejado e correspondido. Um amor pode
sobreviver a intrigas, invejas, calúnias e sair vencedor. Um amor de verdade não vê idade,
cor, religião, raça ou aparência, não tem preconceitos, nem preceitos, não faz distinções.
Um amor não fere e se ferir, assopra. Um amor tem marés, altas e baixas, fracas e fortes.
Um amor pode ter muitas histórias, fabricar poemas, inspirar versos e canções.
Um amor não tem perguntas, porque jamais necessita de respostas. Um amor precisa
para adormecer a companhia de um outro amor e para despertar um toque desse mesmo amor.
Um amor pode ser contido, travado, reprimido, ou declarado. Um verdadeiro amor pode subir montanhas, cair em precipícios, atravessar desertos, envolver-se em tempestades,
afundar em oceanos e ainda assim sobreviver. Um amor pode dar frutos e lançá-los
ao mundo cobertos de amor também. Um amor tem cores, o branco da paz, o azul do afeto,
o rosa do carinho e o vermelho da paixão. Um amor comete loucuras, por vezes se arrepende e volta a cometê-las novamente. Um amor de verdade dá espaço, cede momentos, expõe idéias, lança argumentos, sem jamais violar sentimentos. Um amor pode escravizar-se e sentir-se livre.
Um amor profundo acontece, resplandece, revigora-se e amadurece. Um amor pode ser sábio, desinteressado, confiante e altruísta. Um amor de verdade pode se perder a poeira do tempo, ´pde se desfazer através dos anos, mas sempre terá sido um amor imenso. Um amor pode ser eterno ou fugaz, pode ser o primeiro ou o último, novo ou velho... Mas ardente. Um amor só não suporta ser vivido, sonhado, e mantido sozinho. Um amor precisa de outro amor para sobreviver, se assim não for, não terá sido um amor, terá sido apenas uma grande dor.
Por Lidi às 8:47 PM
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