Segunda-feira, Janeiro 28, 2008
Hoje me senti só, muito mais do que ontem e talvez muito menos do que amanhã. A solidão não serve para agradar, muito menos é desagrado. A solidão – a minha solidão – é infinitamente natural. Não é justo que eu seja só, é natural. Acho que dentro de mim não cabe mais alguém. Mas eu tento pôr qualquer coisa. Eu tento pôr qualquer coisa porque eu me sinto só. Mas por quê. Sendo natural – mas não justa – a minha solidão. Eu não me sinto triste quando sinto toda a minha solidão apoderar-se de mim, como aconteceu hoje. Eu me sinto uma estrela morta. Um pequeno, melancólico, buraco-negro. Minha solidão é melancólica. Acredito que toda solidão é melancólica. Minha solidão é negra, mas nem toda solidão é negra. É isso que sinto quando minha solidão me devora: melancolia, negro. Eu sou um buraco-negro que não sabe que se é um buraco-negro. Negro por dentro. Buraco por fora. Quando eu estou sozinha e percebo que sou só, eu não vejo ninguém. Sinto falta das pessoas, talvez porque eu me transformo em um buraco-negro que consome tudo que vê. Mas por que, se minha solidão é natural?. Meu paradoxo me asfixia, eu morro nele, e aos poucos me torno mais negro, mais buraco. Eu não sei não-ser buraco, mas eu não quero ser buraco. Eu não sei o que é estar cheia. Eu não sei o que é estar vazia. Eu não sei o que é estar completa. Eu não sei o que estar incompleta. Eu sou a intercessão entre todos esses adjetivos sem sentido, portanto, eu tenho sentido, porém não sei que sentido eu tenho. Mas vê: quando não sei o sentido, o sentido não existe, porque tudo que não sei não existe. Então não pode ser tudo, é nada. Não, não é. Não é porque não pode ser. Se ser, se tudo, eu deixo de ser sozinha, eu deixo de ser buraco, eu deixo de ser negro, por isso, nada, não é: eu sou sozinha.
Quando eu não estou sozinha, eu sou sozinha. Quando eu estou com alguém, eu estou com ninguém. O alguém são essas pessoas que só vejo, mas não vejo – e que são ninguém. Algumas pessoas me completam ou me completaram, mas eu nunca fui completa. Eu não posso ser nada do que se possa ser porque eu sou sozinha. A solidão me devora qualquer potencialidade de ser. Eu tenho vontade de chorar quando eu percebo que sou sozinha. Por que?. Eu tenho medo de não-ser sozinha porque eu não sei não-ser sozinha. Eu tenho medo de não-ser sozinha porque não-ser sozinha não existe. E eu tenho medo do que não existe. O que não existe é o desconhecido, eu não tenho armadura para o desconhecido, para o não-ser sozinha. Mas eu quero chorar porque eu sou sozinha. Eu quero chorar porque o mundo me faz acreditar que ser o desconhecido é melhor. Minha solidão já devorou a lágrima que cairia da solidão. Eu, na qualidade de ser sozinha, choro por dentro. Eu choro para dentro. Eu choro minha solidão para dentro de mim. Minha lágrima cai dentro de mim, e eu fico toda encharcada de lágrimas...
Por Lidi às 10:27 PM
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Sexta-feira, Janeiro 18, 2008
Eu sei... Sou um anjinho travesso... Brinco, sonho, salto, pulo... Não paro... Tenho sempre a criança que fui um dia dentro de mim... Até que, de vez em quando, a vida vem e mostra-me que cresci... Que afinal estou no mundo dos adultos egoístas e maus... No mundo onde interessa o meu umbigo e o teu para nada conta... No mundo onde as coisas fáceis se tornam imensamente complicadas...
Aí quebram-se-me as asinhas... Perco as forças... E desejo voltar a pular, saltar, correr e sonhar. Abato-me ou abatem-me... Carrega-se o céu de nuvens e, por mais que sopre, elas teimam em ofuscar o brilho do Sol, do Sol que me dá energia, que me ajuda a voar...
Nestes momentos do inversamente proporcional à criança rebelde que sou, restam-me os movimentos involuntários quase espasmódicos das asinhas. Teimosas... Teimam em querer voar... Teimam em continuar a sonhar... Teimam em querer chegar ao Sol!!!
E sabem que mais? Benditas asas que não me deixam cair e que são teimosas o suficiente para quererem enfrentar as dificuldades, o mundo e todas as nuvens que no meu céu aparecem... As asinhas que me permitem sonhar que um dia vou mesmo ser feliz!
Por Lidi às 3:36 PM
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Terça-feira, Janeiro 15, 2008
Gosto de pensar que no dia do meu nascimento, eu recebi o mundo de presente. Fico assustada ao ver que tão poucas pessoas se dão sequer o trabalho de desatar a fita! Abra-o! Arranque a tampa! Está cheio de amor, magia, vida, alegria, assombro, dor e lágrimas. Todas as coisas que são sua dádiva por ser humano. Não apenas coisas realmente felizes. "Quero ser feliz o tempo todo", não! Há muita dor por aí, muita lágrima. Muita magia, muito assombro, muita confusão. Mas é isso que significa. É isso que é a vida. É tudo tão empolgante! Entre nessa caixa, e nunca se aborrecerá...
Por Lidi às 2:38 PM
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